Aqui não é a Suécia!

digitalizar0015 (2)

E não é que eu fiquei bom da gripe! Dona Olívia tratou de me mandar comer frango e chupar laranja. E foram muitas, viu. Laranjas, bananas, maçãs, coco… Meu estômago ficou uma feira só, um tanto carmínico. Após sinais de melhora da gripe, fui eleito em votação extraordinária – na qual só minha avó votou – para ir marcar um exame para ela em um laboratório em um edifício comercial na rua Lopes Trovão. É aí que nasceu o título do post dessa semana.

Estava quase no edifício comercial quando tive que esperar o sinal para  atravessar a rua. Ouvi uns gritos exaltados de alguns taxistas sendo direcionados à uma senhora distinta – a qual eu vou me permitir chamar de perua – atravessava entre os carros. Sim, ela atravessava acreditando que estava certa e ainda disse do alto do seu salto 15 em bom tom: Estou na faixa, apressados! Imediatamente, todos que esperavam para atravessar a faixa única da rua Lopes Trovão, se puseram a rir da perua, que ainda xingava os motoristas. Uma senhora que esperava ao meu lado o sinal  de pedestres abrir, logo virou-se para mim e disse: De onde já se viu!? Aqui não é a Suécia!

Essa frase ficou reverberando dentro da minha cabeça desde segunda-feira até hoje, sexta-feira. Fui anteontem ao bar com minha namorada e contei a situação da perua atravessando perigosamente a rua. De imediato, comecei a anotar em tópicos algumas diferenças entre a cultura sueca e a brasileira. Entre umas e outras ficou decidido: precisávamos pesquisar mais!

Cheguei em casa e logo procurei sobre a fundação da Suécia e como a conhecemos hoje como um símbolo de qualidade de vida. Incrivelmente, quando coloquei no google as palavras “Suécia Brasil”, logo veio o seguinte resultado: Copa de 1958.

Já ouvi na rua alguns velhos – aqueles bem velhos mesmo, que resmungam nos botecos, pelas esquinas – dizendo que a Suécia decidiu investir no desenvolvimento nacional após ver, em 1958, que não tinham vocação esportiva. Eu ri. Então, após o 7 x 1, o Brasil vai tomar vergonha na cara?

Passei toda a quinta-feira lendo sobre a história sócio-política da Suécia e encontrei algumas coisas bem interessantes – que já haviam sido discutidas no bar na quarta-feira. Desde a queda da cultura viking no norte da Europa, a Suécia era um lugar que nem todos queriam ir. Muito frio. Muito longe do centro de decisões político-econômicas ocidentais. Muito perto do Protestantismo.

Comparando com a formação social brasileira, os vikings eram como se fossem os índios suecos. Estou rindo sonoramente dessa comparação tosca, mas é mais ou menos isso, para ambientar os leigos: Índios loiros e barbados.

Em 1527, a Reforma Protestante havia chegado na Suécia. Enquanto isso, no Brasil, jesuítas tentavam salvar as almas dos índios que aqui se encontravam. O território sueco dá pouco mais do que dez vezes o tamanho do Estado do rio de Janeiro, e sua população se concentra no sul do país, com sua maioria concentrada na região metropolitana de Estocolmo – a qual foi dedicado o desenho do post de hoje.

Fui investigar sobre a política sueca e encontrei o seguinte lema: transparência, educação e igualdade.

Li uma matéria da repórter Claudia Wallin sobre a diferença  entre políticos brasileiros e suecos e me surpreendi com o fato de, na Suécia, ainda na Idade Média, já haver a participação camponesa em assembleias políticas ao lado do clero e da nobreza. A noção de igualdade social foi levado à política, o que faz com que políticos suecos sejam representantes do povo sueco e não têm nenhuma regalia.

Ser político na Suécia é andar de ônibus e ser tratado por “você”, diferentemente do patrimonialismo político brasileiro que remonta o cenário das sesmarias na virada do século XVI para o XVII. Enquanto a Suécia é um país monárquico que vive uma democracia, o Brasil é uma suposta democracia na qual a maioria de sua população vive como súditos medievais.

O investimento em educação na Suécia é altíssimo. Professores primários ganham 2/3 do salário de um deputado. A educação é gratuita até a universidade e o voto não é obrigatório e mesmo assim, entre 80% e 90% da população comparece às urnas. De fato, aqui não é a Suécia.

Voltando à perua correndo entre os carros, me lembrei de pesquisar sobre o trânsito sueco. E não é que lá morreram menos de 300 pessoas em acidentes de trânsito no último ano! Fascinante! Na Suécia, uma lei de 1997, intitulada de “Vision Zero”, previa a redução dos acidentes no país. Enquanto no Brasil, morrem no trânsito 25/100.000, os suecos tem a taxa de 3/100.000. A prioridade no trânsito sueco são os pedestres. O planejamento urbano na Suécia foi fundamental para reduzir o número de acidentes.

Foi desenvolvido uma espécie de área de ultrapassagem nas rodovias de pista simples e de mão-dupla, na qual a cada ‘x’ quilômetros, o motorista tem uma pista a mais para poder fazer uma ultrapassagem segura. E nos últimos dez anos, foram construídos 1.500 km desse tipo de rodovia naquele país. Estima-se que tal medida já evitou cerca de 1.400 mortes nas estradas de lá.

Deu até vontade de ir morar na Suécia né?

Pensando bem, se fosse assim, quantos não se mudariam para o Butão?

Para quem não sabe, o Butão fica na Ásia central e é considerado o país no mundo com maior índice de felicidade. Vai entender né…

Isso me faz lembrar de quando eu esperava para atravessar a rua e a perua se jogou em meios aos carros. Me divirto com Niterói. Prefiro morar em Niterói mesmo!

No melhor – ou pior dos casos – ainda somos penta e sobrevivemos aos 7 x 1. E vou repetir palavras da minha santa avó: “O que não mata engorda!”

Fui porque a comida tá na mesa! Até semana que vem!

Anúncios

Um pensamento sobre “Aqui não é a Suécia!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s