La Cérémonie d’adieu

Desenho post

2015 chegou.

Mudou o ano e vejo pessoas comovidas dando adeus ao ano que passou. Pessoas comovidas mesmo! Chorando e se abraçando – desconsiderando o teor alcoólico presente nas comemorações. Foi tanto “adeus ano velho, feliz ano novo!” que ouvi ontem que fui praticamente obrigado a dedicar este post inteiro à cerimônia do adeus.

Andei pela manhã com o sentimento de que nada havia mudado. Ainda lembrava dos rostos etílicos que choravam o fim de 2014. Me lembrei de procurar a etimologia da palavra “adeus” e corri para o “pai google”, e após uma rápida consulta, encontrei:

“’adeus’ é exatamente o mesmo que ‘A Deus’; é o encurtamento da frase ‘A Deus vos recomendo’, tal como às vezes se diz ‘até’, no lugar de ‘até logo’.”

Sempre achei legal a importância das tradições. Desde pequeno, passo meus réveillons na praia de Icaraí. Quando eu era pequeno, a comemoração era bem mais ‘família’ e já indicava a presença das pessoas hiper comovidas com a despedida ao ano anterior. Atualmente, os réveillons tem sido muito mais frequentados por jovens, e ainda assim, a comoção é par àquilo que eu já via quando criança.

Pessoas que passam o ano todo sem demonstrações religiosas se atiram às superstições. Roupas brancas, cuecas e calcinhas das mais cariadas cores, barquinhos para Iemanjá, sete ondas puladas, sete caroços de romã na carteira…

E foi buscando algo que justificasse tal comoção coletiva, que fiz outra pesquisa e encontrei o seguinte, quando procurei a origem das festividades de ano novo:

“A comemoração ocidental tem origem num decreto do imperador romano Júlio César, que fixou o 1° de Janeiro como o Dia do Ano-Novo em 46 a.C. Os romanos dedicavam esse dia a Jano, o deus dos portões. O mês de Janeiro deriva do nome de Jano, que tinha duas faces (bifronte) – uma voltada para frente (visualizando o futuro) e a outra para trás (visualizando o passado). “

E a partir daí a coisa deslanchou! Fui atrás desse tal de Jano, e descobri que o cara era legal mesmo:

“Jano (em latim Janus) foi um deus romano das mudanças e tradições. A figura de Jano é associada a portas (entrada e saída), bem como a transições. A sua face dupla também simboliza o passado e o futuro. Jano é o deus dos inícios, das decisões e escolhas. O maior monumento em sua glória se encontra em Roma e é tem o nome de Ianus Geminus (gêmeos Jano).”

Cheguei num ponto importante para o post de hoje. A virada do ano tem como tradição as decisões e escolhas novas a serem feitas. Foi hoje que percebi que são sim – e muito – necessárias as festividades e comemorações em torno do 1° dia do ano. Demorou mas compreendi! J

Agora que eu já podia entender o porquê de muitos ficarem emocionados sem nem saber o próprio porquê, eu me lembrei de quando eu tinha oito anos. Foi num réveillon que minha avó me incentivou a pular ondas, junto com minha mãe e minha tia. Minha avó é católica – tão católica que ouve o programa de rádio do Padre Marcelo todos os dias – e representa tudo aquilo que penso como sincretismo religioso que é o réveillon. E por falar na minha vó, foi ela que me ensinou o famoso “adeus ano velho, feliz ano novo”.

Junto com a mudança de casa, veio o adeus a 2014 e velho endereço. Agora podemos espremer a família toda no canto da varanda – prometo fazer um post totalmente voltado à varandas – para observar a queima de fogos e toda essa cerimônia do adeus.

Minha avó só está se acostumando agora com a nova casa, mas ficou feliz de poder ver um pouco da queima de fogos, embora esteja chateada por perder pelo segundo dia seguido o programa do Padre Marcelo no rádio.

Para mais ou para menos, fico com a frase do grande e inesquecível Millôr Fernandes:

“Sim, do mundo nada se leva. Mas é formidável ter uma porção de coisas a que dizer adeus”

Obs.: Coincidentemente, estou lendo o livro A Cerimônia do Adeus, da Simone de Beauvoir. No livro, Simone fala sobre os últimos dez anos de vida Sartre, seu marido e companheiro de toda uma vida. Tendo em vista que foi um dos casais de intelectuais mais bem sucedidos que eu conheço, tomei a liberdade para dar o nome do livro para este post.

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