2014, o ano das esperas

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Se teve alguma coisa que eu aprendi esse ano, foi esperar. Um jovem antropólogo saindo de sua área de graduação e buscando novos ares e oportunidades. No final de tudo, eu consegui tudo o que eu quis – e ainda quero muito mais! – mas esperar foi uma virtude que tive que desenvolver. Ônibus, e-mails, Deus, ligações, namorada, atendentes da Oi…

O ano começou a “dez por hora”. Tudo muito lento e quase parando e eu sem conseguir estágio. A parte boa foi ter feito o Laboratório de Antropologia e Desenho com a adorável Karina Kuschnir, que deu uma clareada nas minhas ideias e me permitiu enxergar de outra maneira a antropologia e a mim mesmo.

No laboratório, eu estava tão empolgado, mas tão empolgado, que passava a semana inteira esperando chegar as quartas-feiras para que pudéssemos nos encontrar para desenhar. Ainda em maio, um grande amigo me comunica sobre a oportunidade de conseguir uma bolsa de iniciação científica no IPPUR-UFRJ. A oportunidade mexeu muito comigo pois seria uma possível continuação de um sonho: estudar mobilidade urbana e a história dos transportes urbanos na Cidade do Rio de Janeiro. Enviei um email para o Laboratório do Espaço  e esperei a resposta. Enquanto isso, técnicas nos eram passadas no Laboratório de Antropologia e Desenho. Conheci os traços de Salavisa e dos companheiros de alma dos Urban Sketchers espalhados pelo mundo. E ainda espero me encontrar com eles todos algum dia!

Continuei a esperar pelo email de resposta do IPPUR, até que um dia recebi o email. Junto com o email veio mais uma espera: o resultado da seleção de bolsistas. Foi algo angustiante! Eu que já havia tentado ser monitor de antropologia no IFCS-UFRJ e não havia conseguido, agora esperava uma resposta. A resposta viria numa quinta-feira, e na sexta-feira eu não tinha respostas de nada.

Esperar, esperar, esperar…

Nunca vou esquecer a alegria que foi ter recebido o email do IPPUR às 00h17 do sábado dizendo que eu havia sido selecionado como bolsista do Laboratório do Espaço. Quando se é de uma família humilde, às vezes se tende a esperar muito de Deus. Ser o segundo membro da família a frequentar uma universidade federal, e ser aceito como bolsista em um laboratório – por mais bobo que soe para muitos do que leem esse post – é algo de um simbolismo fascinante.

O Laboratório do Espaço fica na Ilha do Governador, na cidade universitária, e eu sou morador de Niterói. Esperar ônibus não é algo incomum, ainda mais esperar pelo ônibus depois de já estar dentro do próprio ônibus! Voltar para Niterói é uma verdadeira aventura! Eu que já vivia esperando a boa vontade “tartaruguesca” das barcas – nas minhas travessias entre Praça Arariboia e Praça XV – agora também tenho que esperar pela sorte de encontrar um bom trânsito na Avenida Brasil e na Ponte Rio-Niterói. E depois de chegar em Niterói, tinha a mais legal das esperas: esperar pela minha namorada no ponto de ônibus. –Te amo mô!

Passei tantas vezes esperando por minha namorada no ponto de ônibus, que levava meu sketchbook – foi desse sketchbook que nasceu o desenho do post de hoje!. E por falar em ‘hoje’, foi hoje que ocorreu a espera mais dolorosa do ano inteiro: 3 longas horas no telefone para reconectarem a minha rede wifi.

Enfim, o wifi foi reconectado e posso postar aqui sobre o que eu aprendi esse ano. Agora, que venha 2015! Já estou esperando!

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3 pensamentos sobre “2014, o ano das esperas

  1. puxa… que emoção ler esse post! muito obrigada pelos comentários tão gentis e mais ainda: parabéns pela bolsa!! só uma obs: a imagem do post não está aparecendo aqui pra mim…

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