O “bom velhinho”

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Para esse post sem semana de natal, escolhi não falar sobre infância, nem sobre presentes, mas, ainda assim, vou falar sobre natal. Se vou falar sobre Papai Noel? Bom, não é bem esse ‘bom velhinho’ que eu pretendo falar sobre… E esse velhinho nem gordo é, mas tem barba branca, o que faz dele o personagem ideal do post dessa semana.

Acordei ontem com o barulho de alguns carros de polícia passando em minha rua. Eram cerca e 8h da manhã e a rua estava praticamente deserta. Os bares todos fechados à véspera de natal e eu lá… na varanda esperando o porquê de tanta sirene àquela hora da manhã. Desci até a portaria e perguntei o que se passava pro Zeca Pagodinho – infelizmente, sou novo no prédio e não conheço o nome dos porteiros ainda – e ele me falou que tinha ouvido um morador falando que tinha acontecido alguma coisa na esquina. Prontamente, saí da portaria para a rua esperando o pior.

Cheguei até a esquina e vi mais carros de polícia se aproximando. Perguntei, para um dos policiais que desciam do carro, o que estava acontecendo, porque eu havia escutado que se passava algo estranho pelas redondezas – ou mesmo “quadradezas”, por se tratar da cara quadrada que o bairro e seus moradores tem. O policial – que mais parecia um ator de malhação/novela das 6 – veio me perguntando se eu sabia onde estava o corpo (?). Imediatamente, tomei um susto e quase caí para trás.

Como assim, “Cadê o corpo?” Perguntei ao galã armado.

Ele respondeu que o corpo se encontrava ali por perto, segundo denúncias.

Calei e logo disse que não sabia de corpo algum, e que poderia se tratar de outra área ou até mesmo um trote.

O policial fez cara e sério – como se fosse beijar a atriz principal na cena final do último capítulo – e disse que com a “civil” a coisa é séria e saiu da minha frente como um ninja. Momentos depois, ouvi alguns policiais fortemente armados dizendo que haviam encontrado o corpo. Gelei!

Três policiais, que pareciam estar saindo de alguma série que se passa na Califórnia, passaram com síndrome de SWAT, cheios de armas como se estivessem indo tirar o pai da forca ou indo para o Aniversário Guanabara. Diziam que o corpo se encontrava na esquina, próximo aos sacos de lixo. Os policiais se apressaram a cercar o corpo e tentar imaginar as causas da morte. O corpo estava escondido dentro de um tapete muito velho e carcomido. Aparentava uns sessenta anos. Muito magro. Triste fim de um pobre homem…

Por instantes, os galãs com mania de Rambo se assustaram quando legistas foram recolher evidências antes de recolher o corpo. Ao desenrolarem o tapete os policiais quase caíram para trás ao ver aquele Papai Noel subnutrido se levantando e correndo com seu tapete/cobertor gritando o “ho ho ho” mais original que eu já vi: PUTA QUE PARIIIIUUUU!!! UM HOMEM NÃO PODE MAIS DORMIR EM PAAAZ!?!?!?!?

Incrédulos, os policiais não sabiam se olhavam para aquele “bom velhinho” maltrapilho” correndo como um peru de natal bêbado às vésperas da ceia, ou se riam da própria desgraça.

O “bom velhinho” continuou correndo. Não sei de onde tirou tanta força para correr. Se duvidar, ainda deve estar correndo! (rs) De onde já se viu acordar um pobre homem com tanta sirene e tanta arma!?

2014, o ano das esperas

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Se teve alguma coisa que eu aprendi esse ano, foi esperar. Um jovem antropólogo saindo de sua área de graduação e buscando novos ares e oportunidades. No final de tudo, eu consegui tudo o que eu quis – e ainda quero muito mais! – mas esperar foi uma virtude que tive que desenvolver. Ônibus, e-mails, Deus, ligações, namorada, atendentes da Oi…

O ano começou a “dez por hora”. Tudo muito lento e quase parando e eu sem conseguir estágio. A parte boa foi ter feito o Laboratório de Antropologia e Desenho com a adorável Karina Kuschnir, que deu uma clareada nas minhas ideias e me permitiu enxergar de outra maneira a antropologia e a mim mesmo.

No laboratório, eu estava tão empolgado, mas tão empolgado, que passava a semana inteira esperando chegar as quartas-feiras para que pudéssemos nos encontrar para desenhar. Ainda em maio, um grande amigo me comunica sobre a oportunidade de conseguir uma bolsa de iniciação científica no IPPUR-UFRJ. A oportunidade mexeu muito comigo pois seria uma possível continuação de um sonho: estudar mobilidade urbana e a história dos transportes urbanos na Cidade do Rio de Janeiro. Enviei um email para o Laboratório do Espaço  e esperei a resposta. Enquanto isso, técnicas nos eram passadas no Laboratório de Antropologia e Desenho. Conheci os traços de Salavisa e dos companheiros de alma dos Urban Sketchers espalhados pelo mundo. E ainda espero me encontrar com eles todos algum dia!

Continuei a esperar pelo email de resposta do IPPUR, até que um dia recebi o email. Junto com o email veio mais uma espera: o resultado da seleção de bolsistas. Foi algo angustiante! Eu que já havia tentado ser monitor de antropologia no IFCS-UFRJ e não havia conseguido, agora esperava uma resposta. A resposta viria numa quinta-feira, e na sexta-feira eu não tinha respostas de nada.

Esperar, esperar, esperar…

Nunca vou esquecer a alegria que foi ter recebido o email do IPPUR às 00h17 do sábado dizendo que eu havia sido selecionado como bolsista do Laboratório do Espaço. Quando se é de uma família humilde, às vezes se tende a esperar muito de Deus. Ser o segundo membro da família a frequentar uma universidade federal, e ser aceito como bolsista em um laboratório – por mais bobo que soe para muitos do que leem esse post – é algo de um simbolismo fascinante.

O Laboratório do Espaço fica na Ilha do Governador, na cidade universitária, e eu sou morador de Niterói. Esperar ônibus não é algo incomum, ainda mais esperar pelo ônibus depois de já estar dentro do próprio ônibus! Voltar para Niterói é uma verdadeira aventura! Eu que já vivia esperando a boa vontade “tartaruguesca” das barcas – nas minhas travessias entre Praça Arariboia e Praça XV – agora também tenho que esperar pela sorte de encontrar um bom trânsito na Avenida Brasil e na Ponte Rio-Niterói. E depois de chegar em Niterói, tinha a mais legal das esperas: esperar pela minha namorada no ponto de ônibus. –Te amo mô!

Passei tantas vezes esperando por minha namorada no ponto de ônibus, que levava meu sketchbook – foi desse sketchbook que nasceu o desenho do post de hoje!. E por falar em ‘hoje’, foi hoje que ocorreu a espera mais dolorosa do ano inteiro: 3 longas horas no telefone para reconectarem a minha rede wifi.

Enfim, o wifi foi reconectado e posso postar aqui sobre o que eu aprendi esse ano. Agora, que venha 2015! Já estou esperando!