Náusea, caos e luz

Para esta primeira postagem, não consegui pensar em nada…

Por pensar em nada, me lembrei de quando li pela primeira vez o ensaio O Muro, de Jean-Paul Sartre. O livro, ganho de minha tia, é uma compilação de ensaios do francês, e seu primeiro capítulo é o ensaio que dá nome ao livro “O Muro”. Logo nas 13 primeiras páginas, a descrição da noite que se passava em uma prisão durante a guerra civil espanhola, me tocou na alma.

O mais interessante disso tudo foi que a leitura deste livro me levou à leitura de um outro livro meses depois: A Náusea.

N’A Náusea, me deparei com um Sartre bastante reflexivo dando início ao existencialismo francês – tendo em vista que o livro foi escrito por volta de 1936. O personagem se enjoava ao ver que, de seu passado, até si próprio era um estranho. O vazio de sentidos dava lugar à náusea. E ao ler o livro, eu passei a me reconhecer. Tinha 20 anos e passei a me ver como um personagem de compilação de vários livros.

E eu sentia a náusea. A náusea, em mim, sempre se mostrou como um anúncio de algo maior. Como se eu fosse vomitar um mundo pra fora da minha cabeça. Após A Náusea, percebi que eu já vomitava mundos, eu apenas havia percebido isso e aprendido a nomear meu pré-exorcismo como “náusea”.

Ainda como resultado da leitura d’A Náusea, me peguei pensando em quando li Assim Falava Zaratustra pela segunda vez…

(Ok, deve ser estranho ler a postagem de alguém que começa falando que não sabe o que escrever como “primeira postagem” e agora vem falar de quando leu um livro do Nietzsche pela segunda vez…e mesmo assim, deve ser estranho pensar onde essa postagem vai acabar, mas prometo ser breve o suficiente para ser coerente!)

Na segunda vez que li e finalmente entendi o que era real sentido do Supra-homo era como um orgasmo literário. Sei que não é algo que se possa dizer ou ler ou ouvir diariamente, mas foi, sim, um orgasmo. O Supra-homo é algo difícil, dificílimo, de entender para alguém que hoje tem 22 anos – pelo menos, para mim com 22 anos…

(Tudo bem, vamos direto ao ponto e explicar o porquê do título do texto.)

Bom, eu escrevo isso tudo pelo simples fato – talvez, nem tão simples – de eu ter sentido “náusea” antes de sentar na frente de meu computador para dar luz à essa postagem. A náusea que sinto dá sequência, quase imediata, para um caos existencial que dificilmente conseguirei nomear aqui. O caos é algo que me faz ficar sem palavras, me faz perder horas pensando em coisa nenhuma e em tudo. O caos é bom, pois me proporciona dar luz à algo…

Acredito que todo caos é importante para trazer algo novo. E é isso que me faz acreditar que a palavra “ordem” não rima com criatividade ou novidade.